Corrupção, abandono e descaso: o período em que o Distrito Federal viu seu sistema de transporte ruir enquanto o governo festejava promessas vazias
Durante o governo de José Roberto Arruda, o transporte público do Distrito Federal enfrentou um dos piores colapsos já registrados. Não foi apenas má gestão foi um conjunto devastador de omissões, incompetência e escândalos que empurraram o sistema para um buraco profundo, enquanto o cidadão comum era deixado à própria sorte.
O que se via nas ruas era uma tragédia anunciada: ônibus quebrados, atrasos que viravam rotina, superlotação humilhante e uma frota tão velha que parecia saída de um ferro-velho ambulante. Enquanto isso, dentro do Palácio do Buriti, imperava uma propaganda agressiva, cheia de promessas e discursos triunfalistas, que não resistiam a cinco minutos na fila de qualquer parada de ônibus do DF.
UM GOVERNO PARALISADO NA RETÓRICA E A POPULAÇÃO PARALISADA NOS PONTOS DE ÔNIBUS
Arruda falava em modernização. A realidade era a completa paralisia.
A gestão falava em eficiência. O povo via o caos.
O transporte público se transformou em um símbolo da incapacidade administrativa do governo. O usuário acordava de madrugada e, ainda assim, corria o risco de chegar atrasado porque o ônibus simplesmente não passava. Quando passava, vinha lotado, sem manutenção, sem segurança um convite ao desespero.
A sensação entre os passageiros era clara: ninguém no governo se importava.
O ESCÂNDALO QUE DESMORONOU DE VEZ QUALQUER RESQUÍCIO DE CONFIANÇA
Em 2009, a bomba explodiu: o escândalo conhecido nacionalmente como Mensalão do DEM, um dos maiores casos de corrupção da história do Distrito Federal. Os vídeos de propina chocaram o país e escancararam o que muitos já desconfiavam, enquanto a população enfrentava ônibus sucateados, milhões circulavam por baixo dos panos, longe dos investimentos essenciais que o sistema tanto precisava.
Com o governo afundado em denúncias, ficou impossível acreditar que algo mudaria. Se antes o transporte já era péssimo, depois do escândalo, virou um símbolo do dinheiro que deveria ter sido investido, mas tomou outros caminhos.
TRANSPORTE PÚBLICO NA ÉPOCA, UM RETRATO DE ABANDONO
As reclamações se multiplicaram:
- Intervalos intermináveis entre um ônibus e outro
- Falta de fiscalização séria
- Derretimento total da qualidade da frota
- Falta de integração e planejamento
- Empresas operando sem controle e sem punição
O resultado era um só , um sistema improvisado, cheio de remendos, incapaz de atender sequer às necessidades básicas de locomoção da população.
Para muitos especialistas, aquele período representou a fase mais vergonhosa do transporte público do DF.
PROMESSAS GRANDIOSAS QUE VIRARAM POEIRA
Arruda prometeu revolução no transporte.
O que entregou foi uma gestão marcada por propaganda e pouco ou nada de resultado prático.
Planos ficaram nas gavetas.
Projetos foram anunciados, mas nunca chegaram aos trilhos nem às ruas.
A população ficou com o que sempre sobrava: discursos vazios e ônibus caindo aos pedaços.
O LEGADO: UM SISTEMA QUE PRECISOU SER RECONSTRUÍDO DO ZERO
Ao final da gestão Arruda, o que restou foi um transporte público esfarelado, desacreditado e incapaz de atender à demanda mínima da capital do país. O governo que prometia modernidade entregou colapso. E, enquanto o DF tentava se recuperar do abalo político e moral deixado pelo escândalo de corrupção, o transporte se tornou um símbolo vivo do que acontece quando a incompetência encontra o desvio de dinheiro público.
Reconstruir o sistema exigiu anos, novas licitações, renovação de frota, reestruturação completa e, principalmente, uma limpeza profunda depois de um período marcado por escândalos e abandono.








