Por trás de cada derrubada promovida no Distrito Federal, há uma história marcada por luta, esperança e dor. Famílias humildes, cansadas da burocracia e das promessas que nunca se cumprem, veem na compra de lotes — muitas vezes respaldada por recibos, contratos e até por indicações de figuras ligadas ao poder — a chance de construir, tijolo por tijolo, o tão sonhado lar.
Mas o que começa com esperança termina em pesadelo. Quando a casa enfim está de pé, chegam os tratores, policiais cercam, mães choram, crianças se desesperam. O que é apresentado como “cumprimento da lei” se transforma, para essas famílias, em ruína e desamparo.
Grileiros agem livremente, e o silêncio da Câmara Legislativa grita
Enquanto pais e mães de família são tratados como criminosos, os verdadeiros responsáveis pela ocupação irregular — os grileiros — seguem intocados. Ninguém os nomeia, ninguém os investiga, ninguém os responsabiliza. E o que mais impressiona: a maioria dos deputados distritais permanece em silêncio diante dessa realidade.
Quem são esses grileiros? Onde estão? Por que continuam atuando livremente no DF, enquanto trabalhadores perdem tudo? A resposta incomoda: o sistema de grilagem virou um negócio lucrativo, conhecido por muitos e convenientemente ignorado por quem deveria legislar em defesa do povo.
A Câmara Legislativa do DF, que teria o dever de fiscalizar e propor soluções concretas para o direito à moradia, permanece omissa. Deputados distritais, eleitos para representar a população, evitam o tema ou tratam a questão com indiferença. A falta de fiscalização preventiva, de leis eficazes e de enfrentamento aos esquemas de grilagem contribui diretamente para o agravamento da crise.
Por que combatem quem compra, e não quem vende?
A pergunta que ecoa entre os barracos destruídos é sempre a mesma: se a terra é pública e a ocupação é ilegal, por que o poder público não agiu no início das construções? Onde estavam os órgãos de fiscalização e, principalmente, os deputados distritais quando os primeiros lotes eram vendidos?
Para muitas famílias, a atuação do Estado só aparece quando tudo já está construído — quando não há mais saída, quando o desespero já consumiu as economias e os sonhos. E, no fim, quem responde é sempre o mais fraco: o comprador, nunca o vendedor.
O trauma de perder tudo
Estudos mostram que a perda da moradia causa impactos psicológicos graves, comparáveis a traumas de guerra. Ainda assim, o que se oferece em troca é lona preta, escombros e abandono.
Carlos Alberto Rodrigues Tabanez conhece essa dor. Já esteve ao lado dessas famílias. Já viu o choro das crianças, o colapso emocional das mães, a revolta silenciosa dos trabalhadores que só queriam um teto.
Ele denuncia o abandono institucional e cobra dos deputados distritais um posicionamento claro. “Não podemos continuar assistindo a esse massacre social sendo tratado como cumprimento de dever. Quando os grileiros seguem livres e quem perde tudo é o povo, há algo profundamente errado nas prioridades de quem legisla”, afirma Tabanez.
Para ele, o que ocorre no Distrito Federal não é apenas omissão — é negligência política. E contra isso, só há uma saída: coragem, denúncia e mobilização.









